Banco do Planeta

II Encontro de Ecovilas em Nazaré PaulistaViver em harmonia, trabalhando de forma comunitária e cuidando de todo ambiente a sua volta, produzindo sua comida e energia, sem poluir, é um sonho antigo da humanidade. Já antevendo a crise socioambiental em que mergulharíamos, iniciativas surgiram no mundo todo nas últimas décadas tentando construir uma melhor realidade. Sob nomes diferentes como comunidades alternativas, comunidades sustentáveis ou ecovilas, elas já são mais de 15 mil em todo o mundo e tem servido como laboratórios vivos do futuro que queremos alcançar.

“As ecovilas ou comunidades são centros de aprendizado e de transformação. Ali, se experimentam soluções que depois podem ser levadas para as cidades”, esclarece Marcelo Ribeiro, integrante da ecovila Terra Una, de Minas Gerais. Ele destaca ainda, que estas experiências não se restringem a áreas isoladas dos grandes centros urbanos, mas já se mesclam a eles, como fazem a Casa dos Hólons e a Morada da Floresta, em São Paulo.

Los Angeles é outra cidade que tem uma ecovila urbana, além de contar com a iniciativa do Path to Freedom, em Pasadena, em sua região metropolitana. Marcelo aposta numa transição gradual para solucionar os desafios atuais como também prega a corrente Transition Towns.

O termo ecovila foi criado em um encontro em 1995, em Findhorn, no Reino Unido, um dos experimentos mais antigos neste campo. Iniciado em 1962, por apenas três pessoas em um trailer estacionado numa área degradada no Norte da Escócia, hoje ele reúne mais de 500 pessoas e 30 empreendimentos diferentes, todos empenhados em restaurar o equilíbrio da vida na Terra.

A área em seu entorno conta com jardins, hortas orgânicas e floresta sendo restaurada. A comunidade capta energia eólica e trata de forma natural, com tanque anaeróbico e plantas – sistema conhecido como “Living Machine”, toda a água que utiliza, devolvendo-a limpa ao ambiente. Ela se tornou um pólo difusor de tecnologias sustentáveis, tanto no campo ecológico, quanto no social e no econômico. Findhorn conta com uma moeda própria, o EKOS, que serve para fortalecer a economia local.

A partir das dificuldades vividas ali e em outras 22 ecovilas em diferentes países, desenvolveram-se vários instrumentos para a construção de comunidades intencionais. Permacultura, bioconstrução, energias renováveis, economia solidária, governança circular, comunicação não violenta e resolução pacífica de conflitos são estratégias largamente utilizadas e aprimoradas em décadas de convívio e trabalho conjunto.

Este aprendizado gerou o currículo Gaia Education, que ensina a planejar para que esta e as futuras gerações contêm com recursos para sua existência e explora as mudanças necessárias para se viver bem em comunidade. Ele é oferecido em diferentes espaços ao redor do mundo sendo que foi aplicado pela primeira vez em ambiente urbano pelo Brasil, em 2006, na Umapaz – Universidade Livre do Meio Ambiente e da Cultura de Paz, em São Paulo. Este ano, além da capital paulista ele está previsto para acontecer no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Salvador.

Relacionamento humano é o maior desafio

“Quem pensa que infraestrutura é o primeiro passo para se iniciar uma comunidade comete um grande engano. Muitas iniciativas partiram daí, com casas, centro comunitário e outros equipamentos prontos e sucumbiram por falta de gente interessada em ocupá-los”, conta Oberom Correa da Silva, integrante da Mato Dentro, na região de São Lourenço, em Minas Gerais.

Ele ainda lembra de outras iniciativas que construíram sua estrutura em conjunto, na medida em que novos integrantes iam chegando, mas também não duraram por divergências internas. “O que eu vi dar certo, foi o que começou pequeno e cresceu de forma espontânea, baseado no afeto de uns para com os outros”, completa o jovem de 27 anos, que nasceu e vive até hoje na comunidade mineira.

“O desenvolvimento individual é essencial para termos harmonia grupal”, explica Eliana Isabel Gavenda, que viveu por 10 anos na comunidade de Nazaré Paulista, SP, de onde partiu para fundar a Aldeia Arawikay, na região da Grande Florianópolis.

“O ser humano é complexo e sempre haverá conflitos. O importante é observar: onde colocamos nossa energia? Nos problemas ou nas soluções?”, comenta Pomei Kwong, moradora há três anos de Crystal Waters, na Austrália. “Também é importante festejar e se divertir. Nas festividades, se constrói a união e se dissolvem desavenças”, relata a jovem; lembrando ainda que a comunidade australiana usa a técnica de “Heart Circles” (Círculos do Coração) para a resolução de conflitos.

Este movimento tem conquistado avanços significativos e dado ao mundo exemplos como Damanhur, próxima de Turin na Itália, eleita pela ONU como comunidade sustentável modelo e escolhida como a ecovila mais bonita do mundo, pela revista Communities.

Ao contrário da idéia de isolamento a elas atribuída, as ecovilas têm entre suas premissas a interação com a vizinhança, expandindo a melhoria da qualidade de vida e a preservação ambiental para seu entorno. Nelas se pratica largamente um sistema de permuta em que produtos e serviços são intercambiados sem a necessidade de dinheiro. “Uma vez, saí com 18 objetos dos quais não precisávamos mais e voltei com as 18 janelas que nos faltavam para terminar um salão”, conta Elena Gavenda, da Arawikay.

Muitas lançam sua própria moeda, para fortalecer as trocas locais e agilizar os negócios nas feiras de troca que praticam. Essas moedas trazem em si a filosofia dos negócios justos e são utilizadas somente após dinâmicas nas quais os participantes entendem o que é uma economia solidária, em oposição à economia predatória do levar vantagem ou gerar lucro a qualquer preço.

Outro pilar da economia solidária é a transparência contábil, isto é, todos os gastos de um evento, por exemplo, ficam expostos, mostrando como o investimento para a participação foi definido e em que será usado cada centavo pago pelos participantes.

Essas comunidades também recebem visitantes, que ali podem comprovar que há formas mais eficientes e harmônicas de organizar a vida humana na Terra, baseadas na cooperação, e não na costumeira competição.

Para conhecer mais, consulte os sites GEN – Global Ecovillage Network e Gaia Brasil.net.

Com apoio do Instituto Ethos.

Agradecimentos especiais à Arca Verde, de São José dos Ausentes, RS pela foto na animação da página principal.

Tags: comunidades, ecocidades, ecovilas, sustentabilidade

Compartilhar  Twitter

Comentar

Você precisa ser um membro de Banco do Planeta para adicionar comentários!

Entrar nesta Rede do Ning

Jane Daniele Comentário de Jane Daniele em 17 outubro 2009 às 17:00
Muito interessante essas comunidades, adorei este texto.
Leonardo Janz Comentário de Leonardo Janz em 3 maio 2009 às 1:52
Excelente!!

O texto ficou maravilhoso. Muito completo, fiel á realidade, bastante direto, esclarecedor e super motivante. Parabéns pela publicação.

E pela excelência do mesmo, tomo a liberdade de também publicá-lo no meu singelo Blog - http://vivogaia.blogspot.com/ - (sem olvidar a referência, é claro) para que muitas outras pessoas igualmente tenham essa feliz oportunidade de enriquecerem-se com ele. Obrigado!!
Jesse Teixeira felix Comentário de Jesse Teixeira felix em 2 maio 2009 às 0:16
Foi um grande passo dado pelo presidente da ABC - Associação Brasileira de Ciclistas, Jessé Teixeira Felix no incentivo ao uso da bicicleta em Salvador, capital da Bahia, após visitas feitas em várias ciclovias e contatos com a Associação dos Bicicleteiros da Bahia. A visita deixou uma grande missão a ser realizada, pelas entidades juntamente com o prefeito de Salvador João Henrique, que está tentando dar aos seus munícipes a opção de poder utilizar bicicletas, pois a cidade só tem 15 quilômetros de ciclovias em toda a orla da praia.

Algumas ciclovias estão sendo construídas, mas a cidade ainda tem carência de uma política cicloviária urgência, pois são 4 milhões de pessoas circulando diariamente. Nas periferias de Salvador, os bairros são populosos com pessoas carentes e não existem ciclovias e a esperança de conseguir conquistas ainda neste ano são grandes.

"Fomos recebidos pelo Secretário Municipal de Esportes de Salvador, Acelino Popó Freitas, ex-pugilista, que recebeu a nossa equipe com muito carinho e prometeu colaborar no que for preciso para colocar em prática as nossas propostas sobre implantar o Pedala Salvador", declarou Jessé Teixeira Félix.

Após apresentação dos trabalhos realizados pela ABC através das campanhas educativas entre elas o "Pedala Santos" e o "Uso do Retrovisor", o secretário Acelino Freitas elogiou o presidente da ABC, Jessé Teixeira Felix pelo grande incentivo que vem dando á causa. Ficou marcado para o dia 19 de Agosto deste ano, o lançamento da subsede da Associação Brasileira de Ciclistas em Salvador, que estará funcionando na Rua Albertino Guimarães, 9A, no bairro Alto Retiro, Campo da Águia, Salvador, onde todas as matérias de divulgação e apoio ao Pedala Salvador estarão sendo distribuídos.
Juliana Mendes Comentário de Juliana Mendes em 23 abril 2009 às 15:38
Muito rico este post! Cheio de informações sobre um assunto muito agradável.
SOLANGE BATISTA DAMASCENO Comentário de SOLANGE BATISTA DAMASCENO em 22 abril 2009 às 20:44
Quero participar com vocês fazendo projetos para desenvolvermos juntos...
Solange, Manaus, Amazonas.

Membros

  • Daniel R. Ferreira
  • Gildo Henrique
  • Fernando Roberto Palma de Moura
  • raimundo sabino
  • Martin Mauro
  • Kaio Leonardo
  • luiz tadeo damaschi
  • Maria da Conceição Dias Ribeiro
  • Cristina Ap Palludetti
  • SUELY CRISTINA LIMA E SOUZA
  • Ana Maria Souza
  • claudia adriane nascimento

© 2010   Criado por Moderador do Banco do Planeta

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço